Sunday, January 29, 2006

O Memorial do Convento

Era uma tarde taciturna. A humidade do ar convertia-se lentamente em flocos de gelo frágil que crepitavam pelo solo, numa carícia metereológica que nos recusavámos a querer sentir. A caminho do hospital, de mãos dadas e corações apertados, os três rezávamos a S. Lázaro pela indolor passagem ao outro mundo do nosso rebento. Até hoje, certamente, um rebento único de singular geração tríptica.
O ar pérfido do quarto 666 onde jazia no seu leito de morte o nosso amado descendente, não nos deixava respirar fundo. Colocámos as begónias na jarra velha que por tantas vezes fora usada como uma meretriz do óbito, sem nunca conseguirmos encarar nos olhos, por mais do que breves relances, o nosso filho moribundo. As chagas pessanhentas cobriam-lhe a pele. As unhas corroídas por um mau-olhado tornado viral contaminação. O tubo que lhe penetrava o esófago colava-se aos lábios desidratados. O coração ansiava pelo derradeiro descanso.
Então, sem avisar, um médico entrou naquele érebo final onde uma família destroçada se debruçava sobre quem outrora personificava o Napoleão cibernáutico. A sua condição era de uma dor perdulária. O terminar dos seus últimos minutos, iminente. Havia sido linchado por uma multidão de trombíferos hominóides enfrenesiados, munidos com haissúaques pokerflatianos, sem dó, sem piedade. Apesar da sua constituição apolínia, qual reencarnação do musculado deus solar, pouco pôde fazer contra a apoteóse da violência tirânica de tão baixos seres menores, que procuravam satisfazer a sua sede sanguinomaníaca.
O custo da integridade e do espírito messiânico havia sido demasiado alto. Qual reprodução do episódio mais lendário da história da humanidade, 2006 anos antes. A mensagem do Fratricida foi, como tantas outras verdades universais, sujeita a uma acérrima crítica, frequentemente desestruturada; contudo, era imbuída de um espírito pluralista, progressivo e humanista, pela defesa da opinião pessoal, pela defesa do bom gosto artístico e pela possibilidade que garantia a leitores e redactores de questionarem os dogmas impostos por uma cultura de clubbing mal-formada e mal-educada.

Suspirámos. Dalila, Scar e Super Mário, juntos na dor da conclusão terminal:

O desligar da máquina era inevitável.

O gráfico do batimento cardíaco já ofegava desesperadamente. As lágrimas teimavam em não cair, mas a força da gravidade era mais forte. Estava na hora. O médico, de feições despersonalizadas, levantou o braço, e com os dedos polegar e indicador puxou o interruptor para baixo...

OFF.

O Scar permanecia recto como uma estátua esculpida de sobriedade. Comportava-se como o patriarca da tríade. Dalila não conteve o pranto e agarrou-se às cortinas furadas por esfomeadas traças. Mesmo antes de pegar a velha jarra e, furiosamente, a propulsionar contra a parede coberta de manchas de humidade e suor que se espalhavam de forma fantasmagórica.

A percepção da realidade turvanescia-se. Estaria isto de facto a acontecer? Foi quando coloquei esta pergunta a mim mesmo que os sentidos se me falharam e uma nuvem negra se abateu sobre a minha consciência.

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Acordei, para um estado cônscio, de tontura generalizada, mas ainda sentia o peso da morte a pairar sobre os nossos espíritos. Dalila vestia-se de negro, majestosa. Scar mantinha um silêncio etiquetal. O funeral realizar-se-ia dentro de alguns minutos.

Foi então que do bolso das calças retirei a fotografia que captámos na festa da passagem de ano, há pouco menos de um mês atrás. Dalila segurava a amêndoa amarga, Scar empenhava a garrafa de vodka, eu gritava em extase não contido lá ao fundo, enquanto um qualquer homo-chungus era fratricidado alcoolicamente.



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Ao espelho, percebi então:

"Tenho de ir pentear o picho."



O Fim.

Monday, January 23, 2006

Stereotyp (of Ze Povinho in the decks)


25 year djing one of the most popular & mystical djs of Portugal, almost play in over 450 clubs & discos and is RED BULL Portugal dj from 2000 until today. RUI REMIX is also known as DJ SUGARBABY and got is new mix cd on stores in 20 august with the international known DJ PETE THA ZOUK (Portugal night 2005) mixed for living the night. RUI REMIX or SUGARBABY born RUI FILIPE ALMEIDA in LISBON 01-07-1965 and live in Cascais from the age of 2 years old and began to play in garage parties and school parties at the age of 14. Now rui remix almost plays in more then 450 clubs and discos and made this year 2005, 25 years playing.

Obrigado, Senhor, por nos dares estes momentos. Critiquem a nossa apatia, no que concerne a contribuír com mais do que simples gozos, mas por favor - quem não se riu que atire a primeira pedra...

Dalila Remix

Monday, January 16, 2006

Addendum (Ou Tha Real Story of Tribalauzz)

De facto, a pertinente pergunta que decidi tornar pública na minha última intervenção fratricídica parece finalmente ir de encontro a algum tipo de resposta concreta. Ora, o nosso melhor amigo Google propõe-nos:

http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&lr=&oi=defmore&defl=en&q=define:Zouk

Modern hi-tech Antillean music produced mostly in Paris. Zouk gets its name from the Creole slang word for "party."
www.concretejungle.co.za/glossary.htm

Zouk is a style of rhythmic music originating from the Caribbean islands of Guadeloupe and Martinique.It has its roots in Cadence music from Dominica popularise by Grammacks and Exile One. Zouk means 'party' in the local creole of French with English and African influences, all three of which contribute the sound.
en.wikipedia.org/wiki/Zouk

Zouk is a nightclub in Singapore and Kuala Lumpur. The club is named after the French Creole word for 'party'.
en.wikipedia.org/wiki/Zouk_(club)

Um breve click transpõe as barreiras da definição literal e leva-me ao universo visual desta nova dimensão musical que se me desenvolve sob as minhas vistas espantadas:

http://images.google.pt/images?q=zouk&hl=pt-PT&btnG=Procurar+imagens





Pois é, pode ainda não ser a revelação divina que buscávamos incessantemente, mas será certamente uma pista para o traçar de uma possível história do traibaláuzz, ou então poderá explicar porque é que o Piti é tão dado ao movimento das ancas.

Scar, o Rato da Biblioteca

The Way We Slay (ou Like a Candle in The Wind)

Era de uma complexidade quântica encontrar lenha que ardesse com facilidade. Parecia-me de uma indecente intransponibilidade, dar o pulo... o salto para o patamar superior. O ponto em que largássemos a pequenez do comentário fratricida (objectivado no trespassar de lâminas semânticas nas costas dos frangos musicais que proliferam na ignorância de um público indiferente), e ascender ao brilho da prova científica.

Encontrar uma pontinha de um véu, que nos desse ocasião de deflagrar o escândalo e incendiar o esterco ignóbil que tanto teima em persistir como uma das características mais proeminentes do perfil "tuga": o amiguismo. Talvez para muitos de vós, isto não será senão uma desilusão, mas decidimos escrever sobre o que se segue, porque é algo que achamos ser a única coisa que parece conseguir elevar-se ao hype que tanto desconforto nos causa (ou não).

Ora... isto que comentarei já é sabido dos mais atentos, porque recebemos um mail a sugerir-nos a leitura de uma página - que realmente nos causou a fúria necessária para este post.

Os diversos empregados da revista Danceclub certamente ir-se-ão regojizar com o que vão ler a seguir. Qual quermesse americana em que o patrão se dispõe a meter a fronha num buraquinho e se presta a levar com um balão de água nos palitos, dos seus empregados inúmeros, que aproveitam esse "sabbath" para timidamente soltarem a franga, pagando fartos 10 dólares para humilhar o Córónéu... tudo sob a auspícia defesa de que é brincadeira (e é essa também a nossa auspícia defesa - de facto não somos senão uns brincalhões, com frequentes tiradas de mau gosto).

Já perdemos todos o conto às inúmeras vezes que Zouk aparece na capa desta edição, ostentando um par de óculos, cuja marca lhe deve pagar principescamente para os publicitar e que relembram qualquer personagem rucambulesca participante nas corridas de meia-noite na ponte Vasco da Gama, quais donos de bólides kitados com colunas de 15000 watts a debitarem The Sound of Tunning vol. VI (ou até o último CD da Sonic misturado pelo Expander que alegremente receberam com a compra do último número da revista supra-citada); e tantas vezes nos interrogámos: O que raio faz deste gajo um tipo tão especial? E principalmente... (até vou dar aqui umas linhas para a pergunta se ler bem, já que é tão pertinente):
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O QUE RAIO É UM ZOUK?!?!
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Eu acho que é um termo que designa um movimento musical relativo a emigrantes jamaicanos e africanos, baseado nos ritmos soca e dancehall. Será que tem algo a ver com prógauzzz, que me escapa?! E já agora, o house progressivo, é progressivo em relação ao quê? E porque é que os recibos verdes são azuis?

(e já agora, o que é um "tha"?... será um "the", mais gordo? será no feminino? será uma estranha conversão, a meio caminho (para dialecto tribal-prog-lingo) da já abusiva utilização da palavra "the" que os DA Providers haviam feito?)
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De facto, há quem diga que o verdadeiro Zézé Camarinha é o Pete Tha Zouk... o que não sabíamos é que vai votar no Cavaco. Isto que se segue não pretende ofender crenças políticas, mas sejamos frontais: o Professor preocupa-se, antes de mais, com o sucesso económico de tudo. E mais, preocupa-se com o sucesso, antes do sucesso económico. Não me esqueço do movimento MP3, que faz o Soares parecer uma velha traveca de lábios pintados, mas para poder chegar onde quero (e a minha crítica irá de encontro a pessoas, e não a ideologias), vou ter de usar o Cavaquito, embora poderia usar o Soares se conseguisse com isso dizer o que pretendo (perdoem-me os eleitores).

Encenação fictícia:

Cavaco - "Ora bem, menina... Tenho de me relacionar com esta juventude, com esta malta... jóvem... sabe? É que eu posso parecer ter a expressividade e entusiasmo aparente de um monge tibetano votado ao silêncio, ligado a Life-support, mas no fundo quero é - como a malta diz - curtir!"

Menina - "Ora, senhor Aníbal, há que procurar jovens que tenham as mesmas características que o senhor: capitalistas convictos e desprovidos de escrúpulos ou de sentido de honra. Capazes de, como o senhor, despedir milhares para ir de encontro às obrigações económicas europeias, sem mexer nas reformas milionárias dos bodes que se pastam nas verdes reservas monetárias da Segurança Social."

Cavaco - "Sim, menina... quem recomenda?"

Menina - "Já havia pensado nisso, e escolhi alguns dos jovens mais imperialistas do site de apoio a vossa excelência, para colocar no pódio dos neo-cavaquistas. São eles...

Nuno Rodrigues, Fundador da Revista Dance Club
e
Pedro Tó (Pete Tha Zouk), DJ

(em http://www.cavacosilva.pt/?id_categoria=43)"

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Brilhante! Este site expõe uma relação homochungus perfeita. O amigo que dá a mão ao amigo... o complot, o arranjinho, a mézinha, o jeito... tudo enrolado e sintetizado lindamente num smiley composto de MDMA. E finalmente, o poster de Cavaco que parece um flyer para uma actuação de DJ Haniball daSilva (Subliminal/Siesta/Saw/PSD) na discoteca Kadok, bem pertinho da sua bombinha petrolífera da fortuna.



Alguém nesta campanha se lembrou de nós. Já somos um público alvo para eleitorado. Amantes de música e clubbers, "a malta que gosta de abanar o capacete" já se tornou uma fatia do bolo político. Nem o Cavaco é indiferente aos posters que no verão florescem no Sul... PETE THA ZOUK @ CONCHINCHINA CLUB, sponsored by Bacardi.

Já que o Nuno Rodrigues dá tantos jeitinhos ao Pit, e garante que o grande Tó será sucedido por um tipo tão menos culto, e sem história - levado ao colinho desde a sua eleição como revelação (tão reveladora como o casamento do Elton John) pela revista que mais contribui para a massificação e normatização da música electrónica, dando um destaque estúpidamente irreal aos home-chungus-boys. Curiosamente, esta massa de artistas apoiados e cujo rabinho é lavado e seco com panos de seda, não é lá grande reflexo da realidade clubística do país (particularmente nos centros urbanos, onde ainda há, a par da falta de crítica, uma grande curiosidade insatisfeita por parte do público).

Era inevitável termos de vos fratricidar, Danceclubbers, é dolorosamente verídico que grande parte dos artigos que decidem destacar são relativos a artistas retrógrados, de mente fechada, que mal falam português (ou quando são estrangeiros, raramente dizem algo que vale a pena ler). O traibaláuzzz continua a ser uma ridícula aposta vossa, e a técnica parece ser, pelas inúmeras colunas, predominante em relação à cultura e à riqueza de espírito artístico. Sim, é verdade que têm de vender a revista... mas, já repararam que têm um perfeito monopólio mediático em Portugal? O argumento de que a "merda é que vende" não nos satisfaz, e suponho que a muita gente que faça mais que arrumar carros também não... não há onde ler sobre música de "dança" ou o fenómeno de clubbing sem ser convosco, ou na internet, e muitos gostariam de ler sobre mais gente do que o Zouk e o Expander.

E agora, ainda tentar enrolar o tribaláuzzz com o Cavaco, e com o prog-de-segunda, e tudo isso... Credo! tenho medo de saír à noite... um dia desses quero ir beber um copo com a cheirosa Dalila enquanto o Super Mário engata o Monchique, e aparece o Mário Soares a discursar Accapella por cima de um set de funk, ou o Louçã surge para animar as hostes, inflamando a multidão que escuta um concerto de LCD Soundsystem. Nem pode mais o comum homochungus "abanar o capacete" - e os brinquinhos doirados que combinam bem com a meiinha por cima da calcita - sem se lembrar do patriarcal Cavaco, e quanto este parece curtir música "muito pumping".

Tentar vender tudo como um produto único, parece-me tão curioso como preocupante. E realmente, agradeço aos céus por sermos um país pequeno, porque podemos criticar os americanos por tudo e por nada, mas este tipo de comportamentos é tristemente paralelo aos imensos escândalos de arranjinhos da actual presidência (que nem precisa de ser fratricidada, coitada) - os djs revelação estão cheios de trabalho, bem como a Halliburton está cheia de petróleo e contratos de construção. A sorte do planeta é que realmente, esta é a escala comparável entre os dois países em questão: polémica mundial & leve crítica num blog duvidoso. E nesta altura, muitos de vós poderão estar a pensar "se calhar o Scar é o Pacheco Pereira" - como alguém num comment uma vez disse - e se calhor sou!

Mas também, aposto que não falta pessoal igualmente risível a apoiar o Soares publicamente, e no fim fico naquela: venha o diabo e escolha. Parece que só existem dois candidatos, dois partidos, e eventualmente dois estilos de música de clube – a boa de se apoiar (por ser de fácil consumo – e não há muito por onde escolher) e a chata de se apoiar (o que pode ser muita coisa). Tem piada que a chata (leia-se, underground), depois de dar luta, torna-se a fácil (quando não os vences, junta-te a eles). Os que não o fazem, são frequentemente “mártires” – como já o dissemos indirectamente.

Professor Aníbal, desculpe qualquer coisinha, mas sem querer dizer em quem votarei, posso ao menos lembrar-me que, do mal o menos: felizmente tenho a liberdade de poder escolher a música que oiço.

Scar, o fruticultor (que só gosta de laranjas sem aditivos)

PS - Quero, de resto, agradecer ao nosso leitor que sugeriu indagarmos nesta questão - valeu!

Saturday, January 14, 2006

What's going on?

De facto, o fim de ano foi pesado... reflectimos amplamente sobre a direcção que "isto" deveria tomar... fizemos uns textos, mas pareciam-nos redundantes... saímos à noite, mas a frustração que nos atacava havia já sido descrita em intervenções prévias - e pouco ou nenhum sentido fazia repetir a dose.

Os Frattys foram um sucesso inegável, e até o pessoal da Danceclub nos diz repetidamente que nos adora (boy, do you guys have it coming to you...) ... o nosso blog vale dois milhões de dólares e suspeitamos que detectives privados colocam escutas nos telefones de inúmeros jornalistas e deejays, à procura dos sempre evasivos discípulos de Caím. Sim, a palavra "lenda" já nos fez rir imensas vezes, e estamos abismados com o facto de como algumas pessoas utilizam ainda o blog para publicitarem "agências" (o conceito em si dá-nos vómitos ... um aglomerado frequentemente amorfo e indigesto de gajos que acham que tocar discos os faz Deuses), lojas, sets e eventualmente um ou outro carro em segunda mão com um número de telefone seguido de "trata" que decidimos não colocar nos comentários. Até o Paulo Nupi nos deu o número de telefone dele (o Super Mário adorou), mas como não nos pareceu que fosse a sério, não respondemos. E se não era ele, ele que se ponha a pau (com amigos desses...).

Uns mandam-nos à merda, outros dão-nos o Fratty Grandes Filhos da Puta (ó doce serendipidade: quão gloriosa, a tua investida na cabeça do génio que nos decidiu dar tão ousado e rebuscado prémio). Outros de vós disparam suspeitas sobre quem seremos, quais os nossos aliados, com quem teremos pastilhado na juventude, ou quem nos informa sobre o que sai de mal-abortado na nossa noite(zinha)... agora que os comentários aos Frattys abrandaram, o enredo adensa-se e a dúvida surge: e agora?

Pois, caríssimos e mal-amados leitores... a alguns de vós reservamos afecto, a outros dedicamos os nossos lamentos por serem como são, mas parece que qualquer post novo deverá ser uma orgia com todos vós, aberto mesmo ao mais medonho dos participantes e em que todos têm ocasião de foder e ser fodido.

O problema é escrever ESSE POST. O post-coroação ou post-cereja-no-topo-do-bolo... que cubra áreas nunca dantes visitadas por nós, e que vos permita a interacção que anseiam. O problema é que os comments só são visíveis quando o post é óbvio e a piada não carece de grande dissimulação nem subtileza, e não nos sentimos particularmente tentados a gozar com os infelizes mais uma vez.

Uma coisa é certa... o golpe final será sem dúvida a maior "fratricidada" possível, pelo menos, tanto quanto nos for possível conceber.

Grato pela paciência

Scar, o omni-pestilento.