Thursday, December 29, 2005

The Frattys

Welcome to The Frattys!

No fim do ano, e porque somos bué da fiches, atribuímos os Frattys, prémios de distinção diversa no panorama DJ-zístico português, referentes ao presente ano. Aos vencedores que quiserem receber o diploma em casa, mandem morada para o_fratricida@hotmail.com.

Estenda-se a carpete vermelha... Saiam as estrelas da limo, snife-se a coca, torçam-se os dedos...

And the Fratty goes to...


Fratty D. Sebastião - Mário Roque

Fratty Super Bock - Lux Sagres

Fratty G8 - Lux Frágil

Fratty Tacho - Tigertails

Fratty Master of Puppets - Rui Vargas

Fratty Who Wants to be John Malkovich - Manuel Reis

Fratty Paris Hilton - Tânia Pascoal

Fratty Apocalypse Now - Disorder

Fratty IURD - DJ Vibe

Fratty Aldol - Pete Tha Fraddick

Fratty Freshkitos - Dezperados

Fratty Robinson Crusoé - Rui Trintaeum

Fratty Kiss-Your-Ass-Goodbye - Joana Pinho

Fratty CDR - Tigertails

Fratty Melhor Actor - João Xavier

Fratty Gaysha - Paulo Nupi

Fratty Petit Patapon - Electro-Gugu

Fratty Revelação - Doctor No

Fratty Ovelha Tresmalhada - Pedro Tenreiro

Fratty Carrapato - Rui Murka

Fratty Alheira Mal-Cheirosa - Matulão Moldavo

Fratty Da Weasel - Yen Sung

Fratty Dizzy Cockroach -.Luis Leite

Fratty Carrapato do Dizzy Cockroach - Paulo Leite

Fratty Mártir - DJ Al

Fratty Magalhães Lemos - Rui Trintaeum

Fratty Twin Towers - DJ Kitten

Fratty Naftalina - Zé Pedro Moura

Fratty Dezperados - Freshkitos

Fratty Koffi Anan - Rui Vargas

Fratty Era-DJ-do-Fremitos-e-tocava-Thievery-Corporation-Lamb-e-Portishead-até-que-CUnheci-um-dj-importante-que-teve-pena-
de-mim-e-me-põs-a-tocar-semanalmente-na-Catedral-de-Sta.-Apolónia-nem-eu-sabia-misturar-e-tinha-trinta-discos.-
Basicamente-não-sei-como-vim-cá-parar! ou Fratty Tacho 2 - Dexter

Fratty Crica Húmida - Tiago Miranda

Fratty Poodle - Pinkboy

Fratty Piromano - Pete Tha Zouk

Fratty Trance-is-finally-out-of-the-closet - Rui Vargas

Fratty Zona J - Sam The Kid

Fratty Ácido - Manu

Fratty MDMA - Expander

Fratty Angel Dust - Nelson Flip

Fratty Captain Caveman - Mike Stellar

Fratty Dolce & Gabanna - Kaspar VS Jackzen

Fratty Miss Universo - Miguel Rendeiro

Fratty Gorila de Menta - DJ Riot

Fratty Ukranian - Zentex

Fratty Prozac - Rui Trintaeum

Fratty Casa Pia - Paulo Roque

Fratty Onda-Choque - Gigi

Fratty The Sound Of Tunning - Expander

Fratty Bife - Antony Millard

Fratty Tacho 3 - Infiltration

Fratty Luis de Camões - Diego Miranda

Fratty Vou-te-foder-a-tromba-Oh-João-Pinto - Jiggy

Fratty Keimaduh - DJ João Daniel

Fratty Keimaduh 2 - Zé Guedes e Pedro Seph

Fratty La La La - Mike Stellar

Fratty Bootleg - Ricardo Manaia

Fratty Ku Klux Klan - Jorge Manuel Lopes

Fratty Donald Trump - Vítor Raínho

Fratty Cagalhão Flutuante - DJ Kitten

Fratty Código Da Vinci - O Fratricida

Fratty Unicórnio Branco - DJ Vibe

Fratty Carreira - DJ Luigy


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Em nome dos Fratricidas agradecemos a todos aqueles que entrevistámos para com pilar estes prémios.

Feliz 2006!

Dalila, Scar, Super Mário

Sunday, December 25, 2005

A Christmas Carrol

Boas festas a todos. Decidi largar a teorização que tem caracterizado as minhas intervenções recentes, para vos dar uma boa prenda de natal, enquanto realizarei mais um dos nossos rituais de sacrifício fraterno. Muitos se queixam do amansar do Fratricida... então far-vos-ei a vontade: back to the old school.

Escrevi uma curta peça inspirada na época natalícia. A acção toma curso em Jerusalém, e relata uma aparição não documentada (e obscurecida pelos numerosos concílios eclesiásticos que tiveram lugar durante a idade média) do santo dos santos. Findos dez-mais-seis anos após a morte do Messias, alguns falsos sacerdotes lusos discutem as melhores maneiras de rentabilizar a fé.

Pitázuk- Yá, méne... o meu bêéme já tá equipade com ûma alta consola de jógues, bóquesse 360, tájaver? No outro dia arrebentei a pleisseteixióne que tava ligada no porta b'gages, p'que tinha uma canas com uma beca de pólvoras ainda, da 'nha última prostação na d'scoteca Monte da Eira, em Canas de 'Cenourim, onde fiz uma caminhada pelo armazém, tipo reconstituição do caminho da Paixão. Mas prontes.. fiz com pastilhas em vez de hóstiazes ... ha ha ha ha...

Irmã Xeila- Porque me dizes isso, irmão Pitázuk? Sabeis que não tenho pretenções materiais algumas. Sou uma moça casta, sigo as vias do Senhor... e uso aqui esta corda à volta da cintura, para que quando a fome me aperte, eu me fustigue pela minha desconsideração e desejos luciferinos, apertando-a até sangrar.

Pitázuk. Yá yá, eu não ache c'o Senhor seja assim tão exigentes, pa... afinal, eu fui o sacerdote revelação aqui há uns anos, na Despertai!Club e não tive de fazer muito...

Irmã Xeila- Isso é errado irmão, a Palavra da Santíssima Trindade não pode ser comercializada e usada para fins competitivos. A prova da decadência das instâncias de fé está na tua eleição como revelação. Todos os sacerdotes revelação têm o mesmo discurso : o house foleiro. Talvez para o ano a missa do novo sacerdote revelação se mostre noutros registos... mas tenho quase a certeza que a demagogia do electro-e-derivados vai fazer com que o fumo branco saia da chaminé para eleger um qualquer kompakt-geek.

Pitázuk- Ouve lás... tens um alto par, e usa-ze-le-o para pregares mais vezezes, não és? Achas que se'fosses toda chupadinha e magrinha, q'alguem te convidava pra te ver anunciar os Royal Drums, a cruzarem-se com Poker Flats?! O povo da tua paróquia quer é ver essa prateleira meter uma meloa em cada fader... isso é que era o milagre de Fátima: a mix de mama. E tu, ó Xeilona, sabes bem que usas essa fraqueza p'ra seres mais vezes levada a sério. Por isso não critiquezes o meu trono sacerdotal.

Irmã Xeila- Estou chocada por essa afirmação. Eu não tenho culpa de ser uma freira farta e basta nas minhas formas, e eu prego a palavra do Senhor, sem corporativismos nem falsos milagres. Não sou como vós, que começais as prestações com um espectáculo pirotécnico, transformando um sermão sério, numa vulgaridade bimba e ignóbil.

Pitázuk- Hei, filha, escuta lá pás, é assins, a fé é uma tanga, percebes? É uma tanga quase tão grande quanto a de que não andas praí a pregar corportavismozes, ó sei lá mais o quê. És uma vendidas, pá, tu e a gente todozes, p'que andas praí, com os teus disquitos da modinha, sem distinguires um terço de boa elétrónicas, e até tens uma imagem de marcas, pá... olha pra esses seios... achas que são o que? maternais? tás a querer parecer a Virgem?... chavala, fé é uma mentire, acredita, que todos sabem isso lá na paróquia de Albufeira... e ao menos sabemos que tamos a rentabilizar issos, pá.

(Eis que entra mais um sacerdote na conversa.)


Miguel Rindelheira - Olá, olá, olá, olá, gentxi! Vóutei!

Pitázuk- Ooooolha m'este! Tás bom, paroquiano? tás em alta, pa... vais a todas.

Irmã Xeila- Sim, é verdade, Irmão Rendilheira, estás a propagar a tua mensagem em muitas congregações. Já fizeste a pro... profissão de fé?

Miguel Rendilheira- UUUUAUU! Cláro, gáta, tou aí rendilhando pelo paíss fooora. Ando aí com uma nova idéia... Igreja Universáu do Reino Chungus. Soa bem? É mór sucesso no Bráziu.

Pitázuk- Dassss, vens práis pa... vens tentar minar aqui o meu negócio. Então tive tanto trabalhos a montar a Igreja Adventista da Sétima Conga, juntamentes com o meuzamigos lá da Albufeira... No Algarve não metes os pés, carálhe...

Miguel Rendilheira- Ora, cara, eu quero é djinheiro... em baixo ou em cima, o que interéssa é martelá. E aí, ando com um guigui por djia, até tóco à segunda, parece serviço dji queitering. Tou em áuto, moço, tá fino : tu fica com o sú qui eu fico cu nortxi. (olha lascivamente para Irmã Xeila)

Irmã Xeila- Irmão Rendilheira, controla-te sou devota ao Senhor...

Miguel Rendilheira- Tu é devota ao sinhô? tem piada, com a música qui passa, cê parece uma fraude. Quau o sinhô qui você é devota? Os grandjes Messias não é dji certeza, há muito que a Igreja não é maiss qui um concecionário dji tanga. E eu quero ver a sua! vem cá

Irmã Xeila- Irmão, que grande ego tu tens... o novo sacerdote revelação... ai que ... jeitinho com essas mãos... não ... aí não... (porra, com dedos tão inexperientes é nítido que este nunca deve ter tocado hiphop, ao contrário do que diz na bio) irmão, eu gosto dele bruto, mas porra, tu não és bruto, és animalesco...

Miguel Rendilheira- E aí, tu tá fazendo dji parrva?!

Uma súbita luz invade o cenário, e descendem dos céus três figuras luminosas vestidas com túnicas. A santíssima trindade falecida do House fala com os sacerdotes corruptos...

Levan - Alto, pecadores, que fazeis vós? Que maneira atróz é essa de tratar a fé que profetizei? Deixei esta terra com uma mensagem de paz, fraternidade e harmonia, e vós haveis conspurcado a mensagem do Groove com os vossos esquemas, as vossas congas sampladas, os falsos milagres! (esta é para ti, Pitázuk, dizes-te meu discípulo mas forjas ilusões, com os teus flares no início de todas as tuas interveções)

Armando- E eu, que dos ventos tempestuosos da Windy City, vos trouxe maravilhas da 303, e advoguei em primeira mão a crueza do minimalismo, vos digo: à Verdade em nada se serve dos títulos de sacerdotes revelação, pois o dia do julgamento aproxima-se, e não há maneira de um agente vos pôr nos portões do verdadeiro Paradise Garage.

Ron Hardy - E a minha rude abordagem, na Caixinha de Música, que tão lendária história criou, não se compara à vossa ínfame e dúbia prestação. Em nada estais a contribuír para um esclarecimento superior e cabal, das massas de homo chungus que conspurcam as paróquias do vosso país. Dizem-se sacerdotes, mas sois charlatães, egocentricos e desprovidos da humildade que caracteriza aqueles que criaram a fé que dizeis tornar vigente. Vergonha em vós, e nos vossos, que chupam os Evangelhos e distorcem as suas doutrinas para encherem os bolsos.

Pitázuk- Ó mui doces trindadezes, 'tou prefundamente arrependidos, vou já deixar o meu pógréssive de lados, e dedicar-me-ei em pleno à divulgaçãos da melhor cenas... pá, vou cagar pra Igreja Adventista da Sétima Conga...

Rendilheira- Ai, dôci Virgem, mi acolhi em tua Graça, vou já imedjiatamentxi fazê juz à convergência dji istétxicas que advogo no meu perfil no saitxi da Ofir. Não maiss tocarei a foleirada Chungus que tenho disfarçado em verdadji religiosa.

Irmã Xeila- E eu, misecordiosos Pais da Fé, não mais tocarei com o top apertado, nem me passarão mais pela cabeça as pecaminhosas ideias de actuar em top less nas paróquias da Heart&Soul, para triplicar o cachet. Serei casta e sincera na minha fé, e advogarei as ancestrais verdades que haveis profetizado.


As três figuras convergem e fundem-se numa só, enorme, brilhante, e redonda... uma bolinha amarela com um sorriso rasgado fala aos convertidos sacerdotes.

Jack - Some of you might wonder : who is jack and what is it that Jack knows? Jack sou eu, o espírito do devaneio dançante! Sou o Senhor que criou a pista de dança, e o combustível que vos aquece o coração. Aceito-vos, desviados sacerdotes, na vossa condenável sede material, e absolvo-vos dos vossos pecados deturpantes. E só o faço porque o Jack é Amor, e é n'o Amor que encontrareis a Verdade. E a verdade não está em versões manhosas dos Portishead, nem em discos da Stereo, a verdade está em vós, escondida e atrofiada. Se vos conduzirdes com dignidade e vos prestais a servir as vossas hodes de chungus com dedicação e sacrifício... um dia nos juntaremos como um só e dançaremos ao som do JACK em cada um.

E assim os três sacerdotes que se haviam desagregado dos textos sagrados re-descobriram a luz, e pondo de parte a opolência,as ladies nights e o preconceito, foram acolhidos ... in The House Of Jack.




Scar, o eterno optimista natalício.

Wednesday, December 21, 2005

O fim de um Ciclo ou A maravilhosa inconsequencia de ser Portugues

Queridos leitores,

Passaram-se quase três meses desde que decidimos encetar esta odisseia (de cariz iniciático) por entre os meandros do bloggismo baseado no (pouco) puro escárnio e mal-dizer; viagem essa que se pretendia, acima de tudo, purgatória de todos os males e pecados que parecem afectar a noite clubística (no sentido claramente londrino) portuguesa. A certa altura pareceu-nos necessário esclarecer que não passávamos de meros espectadores, que, no fundo, no fundo, sabiam muito bem o que pretendiam escrever, e a quem pretendiam chegar. De um momento para o outro, tinhamos esses próprios alvos a reagirem sob diversas formas e tipologias, desde o covarde comentário anónimo até ao corajoso assumir da identidade, com resultados mais ou menos felizes. Assim, inicialmente um tiro no escuro, o Fratricida tornou-se um caso de sério sucesso junto de uma emergente comunidade composta por clubbers, djs, ravers da pastilha, pseudo-djs, music geeks, pseudo-intelectos, gunas de boné, groupies dos djs, e um ou outro doente mental com uma estranha obsessão por sexo anal, proveniente, geralmente, do leste da Europa. Purgatória ou não, o simples facto de termos posto todas estas cabeças a pensar e a manifestarem-se, seja sob a forma de iluminados raciocínios discursivos, ou sob a forma de parca diarreia mental com origem óbvia em cólicas intestinais, fez com que todo este travail-du-jour valesse a pena.

Como um amigo próximo me fazia entender há dias, é fácil perceber que qualquer tipo de aspiração a estatuto de "underground" por parte de um qualquer grupo que se reúna para celebrar a última grande trend proveniente de uma qualquer sociedade cosmopolita europeia, é hoje em dia, em vão. Longe vão os tempos em que um singular booker geria a vinda do DJ A, B ou C, ao bar X, Y ou Z, e trazia sempre a mesma trupe de groupies atrás, altura essa em que realmente, toda a gente se conhecia. Ainda que seja necessário congratular as pessoas que desempenharam tais papéis, que despoletaram processos que deram origem à club scene portuguesa, o desenvolvimento do mecanismo de democratização da noite alternativa trouxe consequências de todo o tipo para si própria. Uma delas, e talvez a principal, será o impossibilitar da concretização do próprio conceito de underground, que passou a ser impossível de co-existir com o conceito de clubbing fechado em si mesmo, não expansivo. Por outro lado, o espartilhar das indústrias culturais que gerem o entretenimento público em tempo de crise, não parece intervir, felizmente, nas subculturas de origem e vivência urbana e é por isso que no nosso país podemos e temos a oportunidade de viver à margem de rebanhos, havendo espaço para pensar X, Y, Z, dizer X, Y, Z, dançar X, Y, Z.

Será questionável afirmar que é próprio da condição de homem contemporâneo português, habitante de Portugal, a necessidade de mal-dizer, ou até, de uma perpectiva popular, chegar atrasado, cuspir para o chão, ou deixar tudo para "a última". A urgência em dar um salto para uma possível generalização e classificação estratificada é-nos inerente a todos, talvez por ser própria do espírito mediterrânico uma certa atitude derrotista e auto-complacente para com os nossos singulares defeitos. Por isso, se inicialmente vos pareceu, a vós leitores, que nos tinhamos dado ao trabalho de criar um blog com o puro propósito de "dizer mal", como em alguns fóruns se fazia comentar, chega agora altura de vos mostrar que sabemos prestar valor a quem valor é devido...

A típica atitude de índole indy/alternativa resultante das amarras de um regime ditatorial será provavelmente, a característica do povo português que mais me apraz. E é por esta simples razão que estou a escrever este post: obrigado a todos por podermos ter escrito aquilo que escrevemos; obrigado a todos por podermos falar do Lux, dos Freshkitos, do Rui Trintaeum, do Trintaeum, do Mário Roque, dos Dezperados, do Roman Flugel, da Dance Club, do Tó Pereira, do Rui Vargas, do Indústria, do Antony Millard, do Fradique, do George Clinton, do Carl Craig, do Tiga, do Traibal Áuzzz, do Chus & Ceballos, do Paulo Amado, do Paulo Roque, do Pete Tha Zouk, da electrónica experimental pós-Concreta, dos Pseudo-Intelectos que a ouvem, do DJ Nuno Bessa, do DJ Ric M, do DJ Luigy, do Richie Hawtin, do Ricardo Villalobos, do Luciano, do Frágil, do António Alves, do Ka§par, do Rui Murka, dos MFA, dos 2 Many DJs, do Craig Richards, do Fabric, do Clube Mercado, do Kid Loco, dos Local Heroes, dos Rhythm & Sound, do Fabrice Lig, do Nuno Branco, da Sonic, do Zé MigL, do Tiago Miranda, do Bazaar, do Tim Sweeney, do Dexter, da Dance TV, da Tânia Pascoal, do Homo Chungus, do DJ Pantaleão, do Rainer Truby, do Dego, do Kevorkian, da Force Tracks, dos Fischerspooner, do Fernando Rocha, dos Hardfloor (avé), dos Ramstein, do Kitten, do Erlend Oye, do Captain Kirk, do A. Paul, do Ferro, dos The Advent, do Clube Lua, do Expander, do Mix MC, dos Tigertails, da Casa da Música, do Dinis, do Passos Manuel, dos Maus Hábitos, das Anitas, do DJ Yellow e do Matulão Moldavo...

O mais sincero Obrigado a todos por se fazerem existir.

É sinal que temos alternativa.


Até à próxima ;)

Dalila

Tuesday, December 20, 2005

Super Mario World 2

Hola Meninuxxx!!! Xtou d bolta, pronto para maix um favulozo post...

... ixto tudo enquanto xeiro maix uns traxos da koka que comprei hoxe de maña ao Mikas, o meu xulo preferiduh.

Ñ foi por vcs ñ terem guxtado da mnha ultima interbenção k eu deixei de ka eskrever. Penxabam k me tinha ido a baixo pr kausa de unx commentz d uns paneileiros ainda maix reprimidos do k eu?? Ixo era o k vcx keriam!!! O Super Mario áde smpr ká eskrever!!! Nem k ceja depoix das ultimax duax xemanas paxadas nu óspital a rekuperar da miña ultima fexta de S&M no Boys'R'Us, em ke doix matuloex de kaviadas me faziam boot-fucking enkuanto outre me trexpassava ox mamilos com duax agulhax akabadas d sair da fogeira. YEah!!!

No ultimo fim de xemana, xa rekuperado, dexidi maix uma vex inbestir os meux euritos, gaños umax horitaz antez numa exkina da rua do Xornal de Noticiaz. Depoix de me dexpedir da miña amiga Salette, uma trabeca maix aberta que o ku du Portas numa noite fraka, lá fui eu maix a miña outra amiga Hortência percurrer maix uns sitios modinha, não xem antes paxar no Big Ben e buber umas maxieiraxinhas que nus deixaram IN FAIRE!!!! Axim, xeguei ao Paxos Manuel e dei com a kasa cheia cheia cheia de gajus xiros que passeabam alegremente as suas camisolas fashion ao som do DJ Dinis, esse amigo de longa data, do tempo em k gustaba do(s) Xuto(s). Ja taba a cambalear um bucado, max não deixei de pedir ao linduh barmen lá do xitio maix umas bodkas laranxas que excorregaram que nem Lubrex, o lubrifikante anal que tiña cumprado no dia anterior. Se bem k me lembru o Dinix até taba a fajere um xet engrassado. Mixturaba as ultimax bootlegas de Kelis kom algunx clácicuhs dos breikes, áuzze e tekno. Flaxdance power yeah!!! Curti Bué de Tótil. Foi entaum k enkontramox a Jocelinda, uma transsexual braxileira kom kem tiña trabalhaduh como dáncerine no ultimo Gay Pride, k me dixe: "Ácábei dji saí dus Mausábituis, tává xeiuu mas o fanki tává uma merrdá!!!!!". É klaro k ñ experei e cambaleiei até ao outro lado da rua apoiaduh nas tetas silikonadas da miña amiga Hortência, pra maix uma opurtonidade de mal dixer, aki no Fractridiça. Fodasse karalho nunka maix aprenduh a dixer exta merda dexte nome.

Çubi akele elevador twilight zoned k me faxia lembrare kualker elevador xaído de um filme deprimente xobre ax noites louuuuucas no Hacienda, e lá fomos nóx em direção ao Loft mais maraduh do Porto (Larry Leva-de-n, perdoa-me!!!). Kuando xegamos, a porteira, k por xinal é irmã do Telmo do Big Brotha (facto beridicuh!!!), pediu-nox 6 euros para entrar, ao kual prontamente rexpondih em grande escabeche, kual Joaquim Monchique tripeiro:

"OH SUÁ GRÁNDA PUTÁ!!!! NÓS TÁMOS CUS DIJÉIES!!!"

É klaro k a miuda ñ konsegiu conter o fluxo vaginal, e beio-se nas cuecas nobas, e espetou-me um beijo na boka e disse:

"Aiii Adoro estas bixas malucas!!! ENTRA FILHA!!!"

E prontos, rexulta cempre.

Akilo taba xeio d uma mixelania estraña. Parecia um dexfile da Moda Lisboa mixturado com os freaks do Piolho, esse kafe miticuh do Porto que reune maix pulgas por metro kuadrado que uma rua em Xelas. Fotuhs que naum lembram a ningem, nem a Arlinda Mestra, kobriam ax paredex e lebabam-me ate a sala la dos fundos. Kuando xeguei taba um moço alto com ar d kem num toma solzinho à uns tempinhuhs a por unx discux de funk bem porreirolas. Depoix alternaba k outro moçoilo maix belho que também taba a tucar benhe uns dixcus de breakbeat. A koisa foi rolanduh, assim como o Lubrex. Perdaum, as bodkas. O publiko ate taba a danxar, e eu tambenhe, isto até kuando outros dois dijeies xeios da pinta entraram. "Ai eles são tão linduhs!!!" Penxei imediatamnt. A Hortencia num se contebe e lebantou logo o tope. Fui logo a correr buxcar o flyer: Ka§par VS Jackzen, e dizia lá que eram do Frágil. Fikei logo com o pito aos saltos e fui dançar feita doida para a frente delex. Max naum por muito tempuh. O xet até comexou benhe, com Henrik Schwarz mixturado c Juan Mclean, dois faboritos aki du Fractricerida, max rapdimanete comexou a desxcambar para uma mixtela de dixco e funk de origem duvidoxa. Ou isso, ou xou eu que não percebo um corno de música. A berdade é que o sexo aural não era o melhor, porque um puxava mais que o outro e comexei a ficar farto. Aquilo por esta altura ja taba tao xeio que comexei a aprobeitar para apalpar o cu a alguns freaks que la dançavam ao meu lado, já ke a música naum me taba a agradar. Nexa noite estaba mmo numa onda maix pumping!!

Entao penxei: buca pró Industria Hortencia!!! Hoxe temos a Anita na Lapónia!!! Tentamos lá xegar a pedir buleia enkuanto parabamos numa tasca para buber umas Super Bocks. A berdade é k demoramox quaxe duas horas e kd lá xegamos o freakshow xá tiña acabado pq bimos umas pitas imberbes a xairem e a dizerem uma pra outre: "Ai a musica foi tao boa!! Adorei quando eles puseram a Madonna misturada com o Rei do Kuduru!!!". A unica alternatiba para exta noite de coito interrompido era ir oubir o Vurgess e o Horrendo DJ Amarelo no Mare Alta, algo a k a minha amiga Hortencia não xe dispos pk tiña um cliente para atender as 9 da maña, um dakeles paixinhos de cabelo branco k aprobeitam enqt a cota foi buscar o paum à padaria.

E axim, boltei para a miña caxa xoxinho, digo antes cabana pk o diñeiro ñ dá para maix, na baixa do Porto, e exfreguei um pouco de hirudoid no anus pk um matulão moldavo tiña xido um bocado bruto cmg nexa noit.

Experem por mim maix bexes, que boltarei em breve!!!

Xoxos pros meus kidos!!!
xxxxxx

Super Mario

Wednesday, December 14, 2005

Goodfellas II: Traffic of The Lotus Flower

Esta cidade tão dócilmente acariciada pelos suaves contornos do Douro encontra-se no incondicional termo de ser (tão nítidamente) latina. Qual verdade Sartriana (o Homem está condenado a ser livre...), o Porto está condenado a ser latino. Tão latino, que por vezes, por entre as embarcações ribadouras, com os tão típicos barris de Tawny, será possível a um turista confundir-se por momentos e pensar que está na Sicília.
Livre-se o turista de o dizer... porque a Sicília - todos sabem - é no sul da Itália, e qualquer murcão que mereça o desígnio, não reconhece o conceito de "Sul". Sendo assim, procedamos à análise do que fez da Sicília um local tão referênciável.

A resposta é nítida...

A Máfia. Um grupo de violentos prestidigitadores que assassinam vorazmente os seus oponentes enquanto de tudo fazem para estender o seu domínio, tanto a nível económico como de influências, enquanto promovem a ascenção dos seus familiares e amigos, pisando o mérito e a capacidade dos que mais se dignam a tais posições. Um claro exemplo de um paradigma mafioso: a residência dos Tigertails na Casa Da Música. Vejamos porquê, analítica, antropológica e científicamente:

1. Os Tigertails figuram entre a dupla de DJ's mais secante e infrutífera que alguma vez pisou a terra verdejante que rodeia as margens Douradas;

2. A selecção musical que os caracteriza encontra-se entre a mais pálida, inconsequente e apagada de que há memória; é completamente redundante, carece de eclectismo e arrojo, e é inapta para quase todas as situações clubísticas.

3. Tocam quase todas as semanas, de tal forma que assemelham um espaço público a um clube privado, enchendo os bolsos (com a venda de álcool) aos gestores da instituição que os contrata. Isto levanta uma questionável característica da Casa da Música: uma instituição cultural que promove bebedeiras?... Estaremos de volta aos tempos salazaristas, em que todos os jovens machos eram incentivados a apanharem um pifo, para bem da economia nacional?

4. Se a sua selecção é pautada pela falta de representabilidade da música como um fenómeno artístico total, reduzindo-a a uma sequência ordinária de temas de techno paisagístico de segunda, até que ponto é legítimo empregar artistas tão pouco capazes?

5. Porque é que as inspecções passam a pente fino todos os clubes, procurando, por via dos seus agentes (que vasculham gavetas e recantos como os porcos em França vasculham a terra à procura de hulha), toda a possível reprodução digital ilegal de música, e a Casa da Música (como instituição do Estado) se presta a empregar artistas que tocam CDRs, sem que estes sejam sujeitos ao escrutínio que os restantes são?

6. Finalmente: se o Estado se preocupa com a Cultura, porque não providência os bailarinos com um cházinho e um livro de Hemmingway? Com tão pálida e indigesta sequência de temas, talvez fosse um gesto paternal e carinhoso do Estado, garantir um mínimo de entretenimento...

Ao reflectir sobre estes temas, só posso tirar uma conclusão: os Tigertails estão de conluio com alguém de muito importante no Estado português, para ocuparem a posição que tomam. Não sei quem puseram a dormir com os peixes, com cimento nos pés, de forma a que se afundasse pesadamente no lodo Dourado. Mas certamente, paraquedistas deste tipo não podem simplesmente materializar-se em tão responsável posição, como que por magia.

O que me safa é que ninguém sabe quem sou, caso contrário assim que colocasse o post online, já aqui tinha um gajo chamado Mugsy com uma Colt .45 a espetar-me um balázio no olho. (Para os menos cultos, Mugsy era um jogo para o Spectrum, onde um mafioso assassinava políSSias =D - I still have the last word you cunt!)

Enfim... nada mais suspeito que um macaco ranhoso num galho demasiado alto.

Alias dois macacos ranhosos.

Dalila, a Incorruptível Contra a Droga

Sunday, December 11, 2005

Down Memory Lane

Pesei cuidadosamente o programa do fim de semana transacto. Estou - como todo o país - nas lonas, e decidi estipular um plano de festas local que pautasse por uma incursão na minha juventude. Como o aniversário da Cooltrain Crew está "on hold" até dia 22, e o Captain Kirk é uma referência completamente "in" para se ter no currículo, fui para o lado contrário. Ao invés da saudosa felicidade das festas de Acid Jazz ou Drum n'Bass, relembrei o degredo químico da pastilha, o strobe, os assaltos à porta do Convento do Beato. Decidi recuperar o X, o Neptunus, a Djaxx e essa casa editorial seminal que foi a Squeeze. Enfim - fui ver The Advent ao Club Lua.

O evento em análise tinha algumas particularidades que esboçavam similitude com uma sessão espírita. Para começar, do Além foram enviadas duas almas penadas para acompanhar o live do Cisco - A.Paul e Ferro. O espaço em que se realizou parece uma espécie de Flying Dutchman (navio fantasma), onde apenas os demónios do drum'n'bass mais abrasivo e do progressive atransalhado conseguem fazer lavrar a fúria da chama infernal - prácticamente todos os eventos que remotamente soam a promissores estão condenados ao fracasso, enfim, o Club Lua é a versão nocturna da Mansão de Amytiville. A assistência esparsa parecia congregar-se para tornar material a manifestação das avantesmas que davam um monótono uso ao equipamento sonoro, faltavam apenas as mesas de três pernas e um ou outro voar de copos ou mobília.

Mas voltando às almas penadas... por definição estas são espíritos desviados do seu percurso, que perscutam um qualquer local que lhes está associado, em busca da satisfação que lhes permitirá uma ascenção ao Céu. Longe de mim querer ofender a Santa Igreja - mas pode-se dizer que estão numa espécie de Limbo (embora o Coronel Ratzinger tenha rectificado este conceito). Ora, mantendo-se REAL, estes dois espíritos revoltados (que não recuperaram do choque mortífero do fim do reinado do boné e do brinco, e não se souberam adaptar devidamente à nova realidade technóide, pelo menos, tanto quanto me foi observável) procuram reencarnar obsessivamente a Era do Assobio.

Esta altura, se poucos se lembram, era aquela em que o Mix MC era uma espécie de enviado à Terra, um arauto dedicado ao anúncio da Boa Nova - que era a de que com nenhuma capacidade criativa se podiam defecar albuns a torto e a direito. Se o Mix MC - no aspecto cibernáutico/homo chungus - era um ridículo produtor, era certamente um excelente showman, bem como um escritor peculiar (como o é Saramago, na sua gramática tão própria). Poucos se esqueceram daqueles textos incluídos nos flyers e nos cd's em que se recomendavam fodas a quem não apreciava a "arte", e o próprio autor se considerava um génio... com pouco jeito para a música, mas com um toque assaz talentoso para a comunicação social (RIP, Mix MC - wherever you are).

Assim era com estes dois mortos-vivos: A.Paul e Ferro. Nunca percebi bem como alguém poder-se-ia considerar um amante de techno, e criar - contudo - uma editora como a Squeeze. Se no catálogo desta nódoa editorial há algo a considerar, é que o nome é apto: deve ser preciso fazer muita força para se espremer dos intestinos, tamanha quantidade de fezes. Ou, por outro lado, é preciso espremer muito a nossa boa vontade, para ser capaz de ouvir trinta segundos de um tema do Zé Mig.L. Bom, eu falo muito - é verdade: mas ao menos têm algo a mostrar... mas - por outro lado - também o tem o realizador do Plan Nine From Outer Space (e em ambos os casos são amostras de questionável valor).

Faça-se o merecido reparo: por pouca aptidão natural (e por pouco que estas pessoas tenham convivido com a serendipidade de uma criação musical decente) que os nossos Capitães de Abril do Techno tenham, ao menos sempre se mantiveram fiéis às suas raízes, e fizeram exactamente o que queriam. Todos sabemos que para estes dois, a diferença entre escala e oitava é tão importante como para qualquer um de nós é saber a velocidade com que um cabelo grisalho é atraído ao solo da superfície lunar (e muito do melhor techno é, sem dúvida, harmónicamente rico e complexo), mas ao menos sempre o assumiram e não tiveram de deixar de tocar discos da Naked Music para passarem a tocar discos da Kompakt.

Adiante... apesar de toda esta ampla e dúbia apreciação do fenómeno espírita do regresso dos heróis do técnó nacional, como São Sebastião, foi-me bem aprazível recordar estas personagens e os seus áureos momentos. E, bem ou mal, The Advent até marcaram bons momentos em alguns discos, e na minha lembradura ainda perduram alguns deles. Será sempre bom reencontrar estas apagadas personagens semi-históricas, de uma curiosa e boémia altura dos anos noventa, nem que seja para nos lembrarmos de quão bom sabia a bela da ginja no Climax (mas isso é outra história - bem mais problemática e à qual certamente, um destes dias voltarei).

Memories, não-sei-quê in the pavement. Ahhh...

Scar, o Saudoso

Friday, December 09, 2005

A Semiotica do Silogismo aplicada ao Mercantilismo Luxano

Numa qualquer tarde Apolonesca...

Ruy Vurgess - Que merda pá. Estou sem ideias para o cartaz do mês que vem. Ora deixa cá ver... Oh Dexter, traz-me aí um vodka laranja.

Pete Tha Fraddick - Qual quê?... Deixa só ligar aqui ao Moura. Só temos de meter os nomes dos autores dos discos que mais venderam na Flur nos últimos 3 meses, escrevê-los em papelinhos, botá-los na batedeira e tirar 5 ao calhas, p'rós internacionais. Que achas?

Ruy Vurgess - Eh pa não, tou farto de ligar ao Tiga. E o Hell ficou chateado depois de não lhe termos deixado instalar o ecrã na pista de baixo para ver os jogos do Euro enquanto a Romina lhe fazia um bico e tocava discos que anunciavam o Anti-Cristo... De qualquer forma isso não resolve a questão dos nacionais. As quartas, algumas quintas... a quem recorremos? Oh Zé Pedro traz-me aí um whisky-cola.

Pete Tha Fraddick - Oras... Pera aí, ontem estava a ver o Alta Tensão e ocorreu-me: porque não fazemos um concerto de Ramstein? Novo álbum, remixes do Ivan Terrible, prémios da MTV. Pronto pá, isto é gostos, né? Um concerto de Ramstein a uma quarta, no andar de cima. Não pode ser melhor que algumas noites dos Disorder a gangar a loiça toda. E depois dos 2Many-Many-Many-Many-Times-DJs, já qualquer coisa marcha. Também... esta merda ficou tão pesada, que o público já nem liga muito à música.

Ruy Vurgess - 'Tás doido? E as gajas? Um concerto de Ramstein seria a coisa que menos potênciaria um público equilibrado e bonito, com grelo, e tudo. Oh Nuno passa-me aí a bandeja.

Pete Tha Fraddick - Tou m'a cagar p'ás gajas. Eu quero algo assim... industrial... massivo... grotesco... (sorriso cada vez mais malévolo)... cruel... perverso ... retorcido !!! E EM BREVE ... I WILL ROOLE ZI WERLD!

Ruy Vurgess - Meu, para isso já tivemos o Flugel o mês passado. O puto até enganava, parecia o Erlend-Preciso-de-um transplante-das-Gonadas-Oye, mas depois fodeu-nos os tímpanos a todos com o seu techno que se inseria numa vertente estílista que variava entre a estética ácida-minimal típica da Klang dos anos 90 e Gabba-Gótico-Industrial. Qual personificação em forma de DJ do Voldemort! Por isso há que ter calma man. Oh Ricciardi, então esse charrete??

Pete Tha Fradick - Yah pah, parece que perdi um pouco o fio à meada... Vou ter que voltar a tomar os comprimidos. O dark side parece estar a tomar conta de mim outra vez! NOOOOOOOOOOOOO!!!!

Ruy Vurgess - Focus, Pete, FOCUS!! *Dá-lhe uma chapada*

Pete Tha Fraddick - Bom..... faremos o que normalmente fazemos, quando o nosso conglomerado comercial começa a ficar sem ideias para a parte cultural. Convidamos outro colectivo, ou um dj fresquinho com hype, e se funcionar, copiamos o estilo dele(s), e gerimos os próximos dois anos da casa em função disso. Que tal?

Ruy Vurgess - Hmmm.... Não posso pah, a minha consciência não permite... já mandámos assassinar tanta gente, que por aqui passou e que hoje - graças à nossa apropriação - dorme com os peixinhos.. Ainda oiço as vozes deles no meu sono ... "Fredo, you broke my heart!"... Oh Gajo Das Luzes (Pete, como é que se chama este?? Tamos sempre a mudar caralho...), vai mas é lá em baixo buscar-me a Ketamina.

Pete Tha Fraddick - Argh!!!! Doi-me o cérebro!!! Preci--ii--i--so--de---e--e--e--- ARGHHHHH!!!!!!

** cai pró lado **

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** levanta-se de repente **

Pradick Tha Fete - Nã p'demos fazerers nadas em relação a issos pahs... a Família vem em primeiro lugar-ar-ar-ARGH! O todo é maior que a unidade. *bate com a cabeça na parede incessantemente* Somos uns grandes conglomerados pahs e comportamo-nos como tal. *começa a fazer o pino* Aliás, este mês podíamos fazer umas promoçãos... aumentamos o vodka p'ra 7 euros, mas oferecemos a empregada que o serve. Que achas man? Todas tesudas e tales...

Ruy Vurgess - (Oh não, bateu-lhe outra vez) Pois, mas às vezes, sabes... a minha consciência pesa-me. Eu sei que a Família é importante, mas... também há cá dentro tanta gente que raramente manda uma p'rá caixa, e com quem já nos comprometemos a dar um salário... por vezes penso se estamos no caminho certo: será que a Arte sai enaltecida pelo trabalho dos que pertencem à Família? Tiago, comé meu, já te pedi o Absinto há meia hora.

Pradick Tha Fete - Bom, nas minhas opiniãos pahs, isso só aconteceria no dia em que tivéssemos aqui os Metallica como dj's residentes. Ora, grandes ideia méne. *imita um gorila africano*

Ruy Vurgess - Não, Pete, isso é errado... mais pseudo-dj's? Já bastou o Jarvis Cocker... o palhaço do Gay-Oye, o Kitten, de quem já não nos sabemos livrar... Aliás, vê se há um atirador furtivo disponível para o fazer. Deixa-me ligar aqui ao Frota masé.

Pradick Tha Fete - Tens razão Ruys pahs... Também eu sinto o peso do comércio a abater-se na tarefa de programaçãos. E agora??? ..... OH NÃO!!!! EST-AAA-D-D-OO-RR--OU--TRA---VEZZZZ!!! ARGHHH!!!

** cai pró lado **

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** levanta-se de repente **

Ruy Vurgess - Sabes... Cada vez mais o meu leitor de cd's do carro se distancia da minha mala de discos... é terrível. Quando tenho de ir tocar fora de Lisboa, dá-me náuseas pegar num disco da Kompakt... soam todos ao mesmo... Mãezinha... quero a minha mãezinha... Oh Nupi, já te disse para parares de me fazer massagens aos pés. Vai masé buscar-me outro whisky-cola.

Pete Tha Fraddick - É a paga por te meteres num universo que não dominas, meu irmão... eu sei que as tuas intenções eram boas... fazer meio como o Hell, meio como o Villalobos... sacar uns nomes, umas ideias. Mas enveredaste pelo Lado Negro, o meu, e agora não mais voltas aos tempos do Garage, nem da Barbara Tucker. Estás vinculado com a obscuridade e minimalismo tétrico de uma secante cena normativamente electrónica, totally XUNGA. Não combatas a ideia... junta-te a mim, e juntos governaremos a Galáxia. IRON MAIDEN!!!!!! YEAH!!!!!

Ruy Vurgess - Foda-se Pete, FOCUS!!!

Pete Tha Fraddick - Perdão... então continuando... quartas e quintas ... bom, oh Nupi, tu que gostas de tapar buracos...

** fade out **

Thursday, December 08, 2005

O Matrimónio de S.Pereira

Na adolescência despontou, o chamamento divino
Com três pratos já ele criava, e o Evangelho era o seu ensino.
Apaixonou-se pela Dama etérea, a bela musa: doce Música
Complexa e ambiciosa, amou-a... De forma intensa, barroca e rústica.
Os anos passaram, a paixão lavrou no coração do jovem uma erótica experiência,
Muitos se lembram desse feliz casamento, o Sacerdote com a musical Essência.

Enquanto humilde servente - na casa de Kapa - com o pregão se esmerava
Tocava de tudo com perícia, era um génio na House, sem reserva ou resguarda.
De Sul a Norte era unânime: de tão talentoso era de longe o maior Santo.
Quem o ouvia, não se continha - mesmo incrédulo, desfazia-se em pranto.
Alguns questionaram a sua hegemonia, disseram de boca cheia terem o mesmo toque.
Mas nenhum sobreviveu com tal nobreza ao passar do tempo. Nem Jiggy nem Mário Roque.

Contudo, como quase sempre, o matrimónio não é perfeito.. com tempo, o fogo esmorece.
Perderam-se chama e paixão (pela fama e cifrão), e o coração não mais aquece.
Não mais acariciou a musa, da maneira que ela gostava - o povão tal não permitia
P'ra que todos vissem, fê-la gorda e tesuda, mas só mesmo o chunga dizia que a comia.
Outrora sedutora e melodiosa, fez-se nas suas mãos uma dona de casa desesperada,
A sua esposa, House, foi de virgem lindíssima, a gorda desinteressante e deslavada.

Hoje eléctróide, tribal e progressiva, o maralhal cada vez mais aflui e adora,
Mete a pastilha, e não mais pára, mas quando a música fica boa, é hora de ir embora.
É esta a história do casamento de S. Pereira e que ninguém o acuse de não ser bom santo.
Veja-se que boa ou má, é música; e pouca gente ou ninguém, por ela fez tanto.

Scar, o poeta de retrete

Wednesday, December 07, 2005

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23.02 PM
Local: Antas, Porto

Esquálida.

Passo a relembrar Helsínquia num dia bom, em que os raios de sol branco de meio-dia se reflectem na neve pendurada nas acácias, e a luz contra-bate na minha direcção, na minha pele, que de tão pálida deixa entrever as veias roxas de frio. O Mário aproxima-se lentamente, coloca-me a apaziguante mão grande no ombro, batendo duas vezes, e com a outra chega-me um Earl Grey acabado de ferver... preto, preto, preto, como eu gosto. As minhas mãos, essas, ainda tremem. Seguro essa estranha forma de documento editada cada ciclo lunar. Essa estranha forma de documento.

A página 9, as fotos a cores, as letras confundem-se. Na coluna rosa os meus olhos entram em loop... a bomba cai, e volta a cair...

"fratricida.blogspot.com: O Blog que meteu mais humor na crítica ao status quo e estado de espírito da electrónica em Portugal. À data de fecho desta edição estava (estranhamente) em baixo; será que o mandaram encerrar? Quem são os seus autores? Nasceu um mito!"

"fratricida.blogspot.com: O Blog que meteu mais humor na crítica ao status quo e estado de espírito da electrónica em Portugal. À data de fecho desta edição estava (estranhamente) em baixo; será que o mandaram encerrar? Quem são os seus autores? Nasceu um mito!"

"fratricida.blogspot.com: O Blog que meteu mais humor na crítica ao status quo e estado de espírito da electrónica em Portugal. À data de fecho desta edição estava (estranhamente) em baixo; será que o mandaram encerrar? Quem são os seus autores? Nasceu um mito!"

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Preciso de um xanax. Já.


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Dalila, em estado de choque.

As cartas da criançada #2

O feedback - como podem ter lido - aos nossos mais introspectivos e analíticos posts tem sido imenso e amplo. Não vamos querer objectivar nomes, porque entendemos que tal não é relevante e a carapuça há-de servir a quem ler.

Recebemos um comment relevante a sugerir que se passasse à acção, utilizando o blog como ponto de crescimento, em vez de o tornar ainda mais no buraco negro degradante, que tem sido até hoje.

Pois, caro comentador, a ideia que temos é que - depois de alguns anos valentes a dar o litro por esta máfia que é a noite/cultura de clubbing de Portugal, eu e o meu amado tomámos a decisão de remar na direcção contrária. Já que sempre que tentamos fazer o bem, somos tratados com inveja e desdém, vamos desatar a partir tudo - talvez assim (e nem que seja contra nós), alguma coisa haverá de mexer. Portanto, deixamos à crítica do leitor o que deverá fazer para a mudança, e esperamos envergonhar tanto os cabeças-de-vento que fazem fortunas a contribuír para uma aculturação mental que alguma percentagem do seu ser tomará - eventualmente - ideia do quão fácil e inválido é o que fazem.

Na nossa opinião o que foi bom em 1995 mantém-se bom, e o que é bom hoje sê-lo-á daqui a quatro anos, quando a onda fôr outra. Existem 45 anos de música de dança para divulgar - não apenas os últimos seis meses.

Quanto aos diversos posts provocatórios e abardinantes, decidimos passar a suprimi-los - não queremos que o blog se transforme naquilo que eram os pregões do Blitz nos anos 90. Querelas pessoais e acusações sobre a autoria do Blog só parecem ser originadas por mentes pequenas, a quem aparenta escapar o objectivo deste. Sendo assim, não vamos patrocinar uma caça às bruxas. Já para esse fim, decidimos controlar a um mínimo a utilização de vernáculo.

Muitos são os suspeitos que poderão estar por detrás deste fenómeno, mas a identidade dos seus autores é insignificante, quando comparada com o que se pretende realizar.

Sempre que apreciamos o trabalho de alguém, a iniciativa tem sido mal vista pelos leitores. Vamos continuar pelo Dark Side of The Force, mas apenas como meio de diagnóstico, sem tornar essa atitude numa doença (como, de resto, por vezes sentimos o risco).

Talvez caiba a outros criarem um blog de apreço e motivação - embora por vezes desempenhemos esse papel. Como já dissemos tantas vezes, criticamos a atitude de Maria-vai-com-todas da maior parte dos supostos divulgadores portugueses, que aparentemente só "trabalham" para encher o ego e as bolsas. E sim, o livro de João Gil parece evidênciar essa atitude.

Quanto ao post mais problemático - redigido pelo meu amado - a respeito do Rui Murkão, convém aproveitar para explicar que não obstante a crítica é, sem dúvida, um dos artistas mais valiosos e esforçados da cena portuguesa, e é um milagre que a sua ascensão seja tão clara e visível como tem sido desde a sua maratona compilativa. Irrita-nos apenas, que seja sempre ele a realizá-las, e outros não sejam requisitados para esse efeito. Respeitamos e valorizamos todos os amantes da arte, e cuspimos na cara de quem a utiliza para seu proveito pessoal.

Em breve recuperar-se-á o Evangelho. Esperem a mockery.

Dalila, a Diplomata

Ode ao Transformismo

Este fim-de-semana prolongado promete agitos deveras curiosos na capital nortenha. Tal motivo obrigará, claramente, os membros sulistas d'O Fratricida a deslocarem-se 300 km e a instalarem-se durante 4 dias em plena cidade azul e branca, juntamente com o seu estimado membro Super Mário. Contam-se, entre outros de menção honrosa, um Gilles Peterson, um Felix Kubin, um Mylo ou uns Sa-Ra Creative Partners, e até uma festa modinha no Passos Manuel com não um, não dois, não três, mas SETE djs que a última coisa que sabem fazer é acertar BPMs. Será divertido.

Aguardem as revisões.

Dalila, A Walking Contradiction

P.S.: Mais mudanças estruturais parecem desenhar-se no horizonte negro d'O Fratricida. Just you wait.

Tuesday, December 06, 2005

Lisbon... What THE FUCK Happened?...

Mais um ataque curioso e históricamente preciso do nosso amigo anónimo Motherfocker.


« Áuzzzzzzzzz Traibal!!!!!!!!!!

Muito se tem falado, rebatido e comentado este fenómeno musical que desde início/meados dos anos noventa tem vindo a alastrar de forma cancerígena a todo o território do nosso querido país e que nem os momentos em alta do Drum n’ Bass, do House Filtrado francês e do Electro Ca$h conseguiram abalar.

Recordo-me da altura em que os amigos de Francoforte da germânica Harthouse chutavam uma coisa apelidada de hard-trance: falo-vos dos Hardfloor. Com três TB-303 e uma TR-909, julgavam-se os reis do acid house europeu. E pegou. Era vêr o buraco do Jardim Constantino ao meio-dia de domingo cheio de gorros da neve, oculos escuros, apitos e garrafas de agua a ejacular aquando do interminável snare-roll da remix para Mori Kante do famoso hit etno-pop YEKE-YEKE. Quando já se pedia a todos os santinhos, a Jesus Cristo e mesmo à propria Roland para terminar o sofrimento, eis que chega mais uma linha de baixo e depois, ainda não contentes, mais uma!!! Pelas minhas contas os homens devem ter um património de TB’s riquissimo, podiam fundar a fundação TB303.

O problema, meus caros leitores, começou quando, no Alcantâra, depois do "Short Dick Man", do big dick man e do então levanta-te (e ri, porque é mesmo mau), já não havia nada para pôr... Nada porque as editoras de house de NY, id est, tudo o que girava a volta da Strictly, Henry St e Tribal, estavam a ficar demasiado boas e também... gay! Os Murk (em Miami), Todd Terry, Masters At Work e Dj Sneak (Chicago) numa vertente, e Danny Tenaglia e Junior Vasquez noutra - para exemplificar.

Ora a trupe do Alcantara, o Tozé e o Marinho não sabia o que haviam de fazer. Chicago estava estagno e NY estava a tomar uma direcção que eles, grandes machos, não queriam tomar. Jazzy, funky, disco, latino, uma volta às raízes, por um lado e... “Get your hands off ma’man”.

"Fecunde-se"... Diziam eles... E tinham pesadelos de acabar no Trumps ou no Bric a passar música.

Como acabei de demonstrar, só haviam dois caminhos: o euro trash que o Marco Paulo e sua Paulinha Foxy de mini saia sem cuecas vendiam na Rua do Patrocínio, ou a incompreendida colectânea TOP DJ’s.
Esta compilação sofreu muito mais que este blog sofreu (fruto de excelentes comentários).

“É som para rabetas”, “Isso não é Auzzz não é nada”, “Parecem travecas a cantar”, e outras piores ainda, enfim. O problema é que o Tó (não o Tozé) e o RuiReidoLuxFragilSudoesteModinha, tinham batido o pé e ainda bem porque assim finalmente eu podia ouvir a remix dos Cool Hipnoise “Ela Era O Meu Estilo” em paz sem pensar que era paneleiro.

Como é evidente o que “eles” apelidavam de underground já não o era porque, o party (cego) people tinha ido atrás dos Misters do costume. Agora, deu-se aqui um fenómeno muito estranho. Como é sabido a Europa, desde os Beatles, dos Kraftwerk e do Moroder, raramente enfiou algo tio Sam. Ora na nossa querida Lissabona, existia (e ainda existe) algum "party people" - sim, eu também detesto o termo - muito atento à encruzilhada acima descrita. Ora, estes amigos, cheios de vontade de fundir (foder) o house e o pi pi pi pi pi das três TB’s dos Hardfloor, pegaram na Amiga e fizeram uns mod’s (lembram-se???) com o Octamed (qué qué isso, ó meu?) e foi uma bomba.

Ele era concertos em tudo o que era dancemuzikfestival (rave???), ele era concertos nos aniversarios do Alcantara, foi em grande. Tão grande que o DannyBoyTenaglia e seu namorado (o dono da tribal que agora não me vem à lembradura o nome) adorou. O homem já andava a rasca porque os MAW eram demasiado... à frente (tipo metiam guitarras, tinham composições ritmicas para além de 3 instrumentos, solos de piano e mesmo os MURK estavam anos luz a frente) e a Tribal não vendia.

O Danny e o seu namoradinho viram a luz ao fundo do tunnel para a Tribal. E edita os amigos suburbanos de Lisboa. Nasceu o AuzzzzzzTraiballlll!!!!!!!!!!!!!

“YOOOOO PARTY PEOPLE!!!!!!!!!!!!!!!!”

Motherfocker »

Mais uma vez, merecedor do post.

Citando o único traço de génio na carreira de Abe Duque: Lisbon... What THE FUCK Happened?...

Dalila, a Madrinha

Monday, December 05, 2005

Breve História de Portugal

O estudo sociológico que a bíblica Dalila redigiu sobre o homo chungus pareceu deleitar até mesmo os mais ferranhos opositores sadinos, deste blog de bom nome.

Em juz de compadrio à imensa e massiça participação com que os nossos leitores nos dão a deleitar, decidimos refrear o impropério para não mais caírmos no risco de nos tomarem como ignorantes ou incapazes redactores. No mesmo espírito, vou passar a pente fino o fenómeno electro ca$h ou o revivalismo do queijo - em jeito de programa histórico, qual Hermano José Saraiva.

Vivia-se o ano d'el Rey de mil-nove-e-noventa-e-nove, e o panorama era curioso. As raízes em Lisboa e arredores - bem como na cena mais esclarecida da Invicta, eram ancestrais: exploravam-se discos de jazz, funk, boa música brasileira. A cultura alternativa encontrava-se limpinha e a brilhar orgulhosamente, muito pese que, não obstante, tal se devesse ao facto de ser super dar a ouvir discos de culto ou de consumo não imediato.
A Madonna queria remixes de Kruder & Dorfmeister, os insípidos Thievery Corporation remisturavam qualquer banda no seu barracão de remix-por-quilo, a extinta Godzilla (mais tarde, Kingsize) via-se pejada de pessoas a procura de discos da Guidance, ou da Svek - que também compravam alegremente Compost ou Ninja Tune...

Era frequente ouvir-se um Rainer Trüby (na altura, muy interessante disque joquér) acompanhar Jazzanova, ou um Mr. Scruff inovar na pista do Lux, com Mark Rae, ou muito mais surpreendentemente, um Dego ou um Kevorkian.

Para o lado mais ressabiado, dos que se tentavam recompor da péssima ideia que havia sido comprar vinte arrobas de discos de hard techno, a coisa também andava calma: os Umeks e os Missiles deram lugar a sets de oito temas dos Masters at Work seguidos, salteados com discos de Miguel Migs ou do luso Deep Jays, entre outros. Muitos ainda enguliam o sapo de que a aparente guerra entre techno e house não tinha dado em nada, e o povão queria deixar de se pastilhar a ouvir metais a chocarem, para começar a cheirar coca e abanar o cuzinho com música melosa. Nasceu do mais profundo anel do inferno o Big Louie G - que é uma versão homo chungus do Lil' Louie Vega - e o Jiggy defecou na sua (muito mais curiosa) cena electrónica, e embarcou no caminho do auzz, cedendo às massas centenas de horas de misturas de Accapellas mastigadas, por cima de beats atribalados.

E então, lentamente, a nouvelle vague (claramente não sob o auspício resguardo de um Truffaut ou Godard) vinha-se a impôr, para lançar a confusão na corte real portuguesa. O início é difícil de determinar, mas quando os Festivais Número venderam uma deplorável e risível prestação do Aphex Twin como o mais sobreestimado dj do planeta, a par com uma série de concertos neo-intelectuais, desenhou-se o descalabro. Nos ciclos mais tótózinhos e aspirantes da cena, a coisa virou tão conceptual que qualquer barulhinho era um milagre - um click de um vinil sujo, no início da espiral, parecia mais valioso que qualquer tema sumptuoso que estivesse impresso no disco, propriamente.

A Force Tracks bateu, todos comeram e se saciaram nas novas explorações electrónicas - por enquanto ainda deep e audíveis. A bronca deu-se quando alguém achou que Fischerspooner tinha ponta por onde pegar, ou Chicks on Speed eram remotamente uma banda inovadora.

De repente, todos os fantasmas que os consumidores e divulgadores de música haviam reprimido tanto tempo - e inclusivé renegado - pareciam quase aceitáveis em virtude destas novas visões. Deu-se a saída do armário - e gostar do Eye of The Tiger era cool - em vez de uma gargalhada e de um apontar de dedo, merecia uma salva de palmas estilo as que o Tiger Woods recebe quando marca um hole in one. Então veio o Kitten, descer o nível até à altura da água da sanita, que faz uma farta e gordurosa poia flutuar.

Já não era preciso misturar, o rock foleiro já se metia no mesmo saco que o bom, e tudo era boa música, menos aquilo que se ouvia o ano passado... Então os dj's ressabiados, que andavam sempre à nora com tanta volta que o mundo dava - e que não sabem distinguir acid house de um corridinho da Madeira - decidiram chamar a tudo isto e mais algumas coisa um termo perfeitamente idiota: electro.

Nesta altura, o exemplar "Casa, Bateria e Baixo" dava lugar ao frequentemente insípido "Lux Sagres FM", que durante dias e dias, insistia em programas de duas ou três horas que não mudavam o beat ou o BPM.

Agora Bambaata, Kraftwerk, Cybotron, Egyptian Lover, Nitzer Ebb ou Drexciya, e afins, reduziam-se e confundiam-se - no nome do estilo - a uma música que se assemelhava a uma versão pouco conseguida e quiçá bimba do que havia sido o áureo fenómeno acid house. Chegou-se Dom Tiga I, e partiu a loiça toda no andar de cima do Palácio Real de Santa Apolónia com techno pesadão - aquele que muitos gozavam o hominídeo formerly known as XL por tocar - que pareceu ser aceite num círculo de pessoas que se via como intelectualmente avançado.

Ou seja: o cenário político havia dado a volta, e dava-se uma loucura em massa.

Convidaram-se pessoas do rock para fazerem de (risíveis) dj's, e quem adorava congas e afro beat, colocou esses discos na Feira da Ladra, para proceder a uma nova colecção, que passaria a incluír agora toda e qualquer manisfestação sonora estrepitosa que incluísse guitarradas - mesmo que medíocremente executadas - num beat de 808. Os dj's passaram a aproveitar toda e qualquer ocasião para soltar a perua da moda (mesmo em bares pequenos e com pouco ou nenhum som). Até a ferranha oposição dos mais atrasados de todos (aqueles que resistiam teimosamente à mudança, nos afters de Alcantara, ou dos que se retorciam em asco, actuando ainda num registo congalhado em discotecas como a Karma ou o Q.B, e que tanto gostavam de beber leite rico em cálcio) se converteu em poucos dias, a um conformismo surpreendente e quase cínico, que transformava insultos e queixumes em elogios e sorrisos amarelos, para com os que tocavam esta nova massa indistinta de música que eles passaram a adoptar também.

Uns quantos colectivos mais tarde - uns mais bem sucedidos, outros mais infelizes (dos quais se exemplificam respectivamente a Sonic ou o Pulsar, etc..) - a norma era absoluta. Practicamente ninguém, quer na capital, quer na Invicta, escapava a esta sede de djing, e todos os dias novos grupos de amigos enviavam mails a dizer que se haviam rendido à nova-encontrada paixão dos decks e serviam bares com a sua pequena e desadequada selecção de música meio decente, senão má.

Quase em dois-zero-e-zero-seis, esta era caótica que tantos deixou a chuchar no dedo, tentando perceber o que raio fazer da sua vida, e a que a outros tantos deu uma súbita vontade de começar a mandar demos para o Avô Mig.L comentar, parece estar a dar sinais da sua desestruturação e do seu vazio de conteúdo. Tudo parece tornar-se lentamente num novo quadro.

Realmente, como disse o homofílico Super Mário - trance is out of the closet. Uma das novas cenas é o progue, que certamente unirá o homo chungus com o homo sapiens, mas também se desenham propostas distintas - o retorno dos Re-Edits, a pancada pelas bootlegs, a descoberta tardia e a más horas do riquíssimo legado electrónico de Detroit, e do seu vasto universo de influência (que é hoje em dia muito visível até no hiphop/r'n'b mais comercial).

Realmente, só não se percebe como alguem pode achar a actuação do Vitalic mais do que algo comparável a uma típica prestação humorística do Fernando Rocha, já que tudo se resume, realmente, a um toma-lá-morangos (que ainda por cima são transgénicos e não sabem a nada... alias... a MAI NADA!). O público está confuso e sem ideia sobre onde se virar, e sobre o que de facto é ou não merecedor de uma audição esmerada. Muito embora seja nítida a aderência em massa quando alguem toca num registo deste tipo, eu não vejo isso como mais do que a clássica loucura feminina, quando num casamento a banda Os Irmãos da Quinta da Queija fazem um cover da "Mila" do Netinho. Quando se dá nem mais nem menos do que o correspondente a uma expectativa criada com tanta insistência, é óbvio que o delírio é garantido.

Também o é num concerto do Clemente - nada tem a ver com a qualidade da música, nem com a sua longevidade.

Assim, n' "O Fratricida", critica-se a falta de crítica popular, e a falta de cultura... coisas risíveis e que merecem escárnio, pela atitude prepotente e convencida, com que por vezes vêm impregnadas. E sim, claro, isto é apenas a minha (nossa) opinião.

Enfim. Fim.

Scar, o opinante.

ps - o_fratricida@hotmail.com

Sunday, December 04, 2005

A "electrónica" na TV Shop ou Darwin sobre a Dance TV

Hoje sinto-me esgotada das ideias, vou ter de apontar canhões a um assunto préviamente pouco discutido, talvez por ser demasiado fácil troçar dele.

Sempre gostei de animais - longe de ser no sentido em que a Cicciolina gostava - e lembro-me distintamente de um episódio da BBC Wild Life em que o David Attenborough entrava de cabeça numa estrutura feita por térmitas, nas planícies mais desertas do Serengeti, e que me causou o mais respeitoso espanto. Para cultura geral sobre as espécies que nos rodeiam, não há como os clássicos documentários.

Hoje em dia, a fauna parece mais ampla - a ciência desenvolveu-se e não faltam espécies por descobrir - os peixes-dragões que habitam os corais da Nova Zelândia, as estranhas alforrecas gigantescas nas profundidades das Marianas, os répteis primitivos no interior da Austrália.

Em certas augustas ocasiões a Sic Radical emite um programa de zoologia muito interessante que me faz lembrar esse formato de documentário televisivo, e apresenta uma selecção muito curiosa e pouco estudada de espécies.

Falo, está claro, da Dance TV.

Algures entre a evolução do Australopitecus para o Homem de Neandertal, houve um desvio evolutivo que degenerou num vasto filo de espécies humanóides, todas elas podem ser vistas semanalmente neste educativo e didáctico espectáculo televisivo.

O mais curioso é que é produzido, apresentado e rodado por membros desta espécie desviada do tronco evolutivo comum. Todos os intervenientes deste produto televisivo pertencem ao homo chungus.

Para os que não estão convencidos das capacidades do chungus para executar tal feito, apresento já razões de falácia a tal elação : as apresentadoras gesticulam uma linguagem que - curiosamente - quase chega a ser português... rudimentar, repare-se, mas a dois ou três anos de escolaridade de uma criança do quinto ano - e os entrevistados nas festas emitem grunhidos que (segundo últimas traduções) correspondem a um dialecto primitivo desta língua.

O homo chungus é uma espécie que em muito depende do comércio na sua vertente mais embrionária - a troca de favores. No caso do homo sapiens, é sabido que o comércio começou com a troca de ovelhas, de peças de olaria, ornamentos, adereços ou camelos, mas esta espécie adopta a política da troca de favores.

Repare-se: se a Tânia Pascoal actua no Kremlin, leva a sua tribo para filmar a festa, entrevistar o live act que acompanha o dj set - em que a cadência há-de incidir no chamado elétróauzz, com os imprescindíveis traços de traibalauzz - e falar com os nativos sobre o fantástico ambiente que se experiência na comunhão chungosa das cavernas da 24 de Julho. Assim devolve-se o favor desta casa nocturna ter albergado o evento.

Em seguida - como é certo - não falta o calendário de festas, onde todas as datas dos djs que produzem ou apresentam o programa vão estar em destaque, bem como uma linha ou outra dedicada aos patrocínios que investem na realização deste evento - e no pagamento dos seus milionários cachets (que garantem duas horas de árdeelétrotraibalprogauzz em cds ripados).

Aqui se percebe a mentalidade central do homo chungus, a exploração máxima dos recursos possíveis - tal como baratas, ténias ou mesmo as amibas e outras bactérias, que se reproduzem e devoram qualquer substracto nutricional até mais não haver. Se se tem um programa de televisão, este deve, claramente, ser usado para divulgar o seu - certamente primitivo - trabalho, mais do que informar os telespectadores do que de realmente importante se faz pela música dançável em Portugal - isto, segundo a perspectiva chungosa.

Contudo, por muito curiosa que seja esta abordagem (que por muito pouco não se apelida de esperta), existem falhas nítidas que põe em evidência a escassa capacidade intelectual dos chungus, quando comparados com o homo sapiens. Entre elas, a excessiva recorrência a expressões como "desta feita" (por exemplo : esta noite fomos à discoteca Big Cansil, em Sta. Maria da Feira, pra 3a edição da festa Woman Is Tribal, desta feita dedicada à Tânia Pascoal) ou a completa incapacidade de conseguir compreender qualquer música fora do meandro quaternário óbvio, com decência (por exemplo, irem a uma festa de nujazz, e na entrevista ao dj tocarem um tema de hardhouse no background).

As conversas com o "party people" - expressão também amplamente utilizada nesta série - são os momentos que correspondem aos de dois leõezinhos a brincarem na savana (ou seja, é a parte que nos rimos com compaixão). Seguem mais ou menos esta lógica:

- Então, o que 'tás á achar da festza?
- Yah, baril, o grelo é fixe, a música é bacana e levava-te p'ra casa. (Risos)

e prossegue...

- E vieste por causa da BACARDI ou por causa do Peter Tha Zouk?
- Pás... eu vim porques o meuzamigues quiserem ir curtir a naite, e acámozes aqui, mas já tinhóvido falar c'o Peter ia tar a debitar. E a BACARDI é bué fixe, p'qu'as bailarinas têm uma g'anda peida. Curto bués quando Peter começa e faz aquele espatáquelo com o fogos d'artefiço e toca a música dos Portish - q'a minha namorada té gosta, majeu acho muito romântique.

(Repare-se na política do negócio por favor, sempre patente, a Bacardi, o Peter...)

Outra coisa não seria de esperar de um programa que nasceu da mão de um dos muitos homo chungus que se dissimularam na sociedade da comunicação social (alguns argumentam que na imprensa musical portuguesa haja uma percentagem elevada destes) e que há dez anos já estava a fazer dançar o seu primo - o macaco Hadriano; tocando temas que apenas os da sua espécie compreendem (como Saturday Night, Night Train, etc...) -; falamos, obviamente, d' O DJ Pantaleão, ou ainda, na sua vertente mais underground traibal-progue: DJ FOX.

Esperemos pelo salto evolucionário...

Dalila, a nova Diane Fossey

Saturday, December 03, 2005

Putas do bairro (LOCAL-HOES)

Viva, Zebras...

Já há uns tempos que estamos conscientes que atingimos um estatuto de ódio tal, que até já estão online blogs feitos de propósito para falar mal de nós - que até falamos mal de nós próprios, em primeiro lugar.

Achei piada que ninguém se deu ao trabalho de comentar os textos que os artistas puseram online. Ou será porque estes são citações do que já escrevemos?

A pobreza de espírito e a completa incapacidade de sequer arranhar qualquer subtileza lexical são evidentes neste aborto on-line, que apenas - e sem sentido de humor algum - se limita a chamar-me a mim e à minha amada Dalila um casal de paneleiros disfarçados. Sobre isto tenho duas coisas a dizer:

1. Porque é que quando as pessoas estúpidas se sentem ameaçadas recorrem à vulgaridade de chamarem homossexuais a toda a gente?
Não estarão eles próprios inseguros da sua sexualidade, e como tal tentam desviar o spotlight da dúvida ardente do seu prudido anal?
*(O Super Mário é uma bicha maluca, e gostamos muito dele... espero que ele escreva novamente em breve)

2. Este tipo de alarvidades é que acabam por nos por na ribalta em vez de nos difamar. Agradecemos a divulgação, e o trabalho investidos. PARA FALAREM MAIS DE NÓS!
Pena o estilo de escrita ser tão gritantemente plagiado dos nossos posts - mas isso só faz do projecto um autentico fan-zine d´ "O Fratricida".

»»»»»»»»»»»»»»»» só um momento... tou a rir-me ... imenso...





»»»»»»»»»»»»»»»» ok, já recuperei... Adiante...

Podemos ser odiados, mas foda-se... há quem se dê ao trabalho de fazer um blog para dizer mal de nós: não será isto a maior prova de submissão aos nossos objectivos? Isto parece-me mesmo o exemplo perfeito da velha máxima : quanto mais me bates mais gosto de ti.

Os mais profundos obrigados...

Scar, o humilde

*Scratches head*

Comment by Motherfocker:

"
Olá maltinha das discotecas e bares!!!

Queria deixar aqui uma informaçãozita sobre o Dj DexDerrepentesouDJ:

Nota: Qualquer semelhança de sítios pessoas e episodios com a realidade é pura ficção.

Nos meados dos ano 90, conheci uma pessoa que passava Portishead e Lamb num bar chamado Fremitus e que um dia me disse: "Vinil? Isso ainda se faz? Prefiro CD, tens mais qualidade". Passados uns 5-6 anos sem lhe por a vista em cima, encontro-o numa festa privada ao lado do seu amigo RuiReidoLuxFragilSudoesteModinha. E eu, na minha ignorância perguntei-lhe: "epah, já não te via ha muito tempo, que é que tens feito?", resposta: "Sou Dj no Lux!"

adeus
"

... Merecia um post! Manda-nos um mail :)


Deilaile